Estarreja continua a ser a minha casa. Posso abrir a porta e ver pinheiros e caminhos de terra, chegar ao centro a pé em meia hora ou ir à pesca quando me apetece. É uma terra pequena, onde as pessoas se conhecem, e é aqui que acontece boa parte da minha vida.

Desmontar coisas

Aos dez anos, durante as férias de verão, desmontei o computador da minha mãe. Era o único computador lá de casa. Ela estava a trabalhar. Desmontei-o por completo e limpei-o. Nunca tinha desmontado um computador inteiro e, quando ficou tudo às peças, também tinha desmontado a minha única forma de procurar um tutorial. Estava a ligar o último fio do painel frontal quando ela estacionou o carro.

Fazia o mesmo aos carrinhos telecomandados e ao que mais me fosse parar às mãos. O meu avô despertou-me o interesse pela eletricidade e, durante algum tempo, quis ser eletricista. Mas os componentes eletrónicos custavam dinheiro e encomendá-los pela Internet não era assim tão simples. A programação estava mais ao meu alcance: podia criar coisas mesmo que o computador fosse uma batata.

Um dos meus primeiros projetos de eletrónica foi para os meus pássaros. Gosto de praticamente tudo o que tenha bico e penas. Um dia, o meu avô deixou a porta do viveiro aberta sem querer e a minha rolinha preferida fugiu. Acabou por voltar, mas eu não queria que acontecesse outra vez. Por volta dos onze anos, instalei um avisador sonoro alimentado por bateria, que tocava sempre que a porta estava aberta.

Hardware, software e um ferro de soldar

Continuo a gostar especialmente de juntar software e hardware. Uma boa tarde é uma tarde a soldar e a pôr tudo a funcionar. É por isso que a estação meteorológica e o gateway IoT com AES estão entre os meus projetos preferidos da universidade. O sistema de controlo de acessos Aditus foi outro que gostei de desenvolver.

Às vezes arranjo mais trabalho só para experimentar uma ideia. Numa experiência com a estação meteorológica que não cheguei a publicar, usei um ATtiny para pôr um sensor a comunicar com o ESP32 por I²C. O ESP32 tinha pinos livres de sobra. Queria aprender a construir o meu próprio periférico I²C.

Quando alguma coisa falha, separo os problemas e trato de um de cada vez. Os amigos e colegas também costumam vir ter comigo quando precisam de ideias. Neste momento, tenho curiosidade pelo áudio sobre IP e pela engenharia inversa de dispositivos embebidos, e gostava de dedicar mais tempo à eletrónica analógica.

Aveiro, investigação e Linux

Terminei a licenciatura em Engenharia de Computadores e Informática na Universidade de Aveiro em 2024 e estou agora a fazer o mestrado em Engenharia de Computadores e Telemática na mesma universidade.

Entre 2023 e 2026, trabalhei em investigação no Instituto de Telecomunicações, começando com uma bolsa de iniciação à investigação. O primeiro trabalho explorava o uso de IPFS em cenários 5G para edge computing. Depois trabalhei no Aveiro Tech City Living Lab (ATCLL), a construir uma plataforma para consultar os dados dos sensores da cidade em tempo real, incluindo LiDAR, radar e câmaras. Mais tarde, acrescentei a possibilidade de consultar dados históricos: velocidades médias em troços de estrada, congestionamento e estatísticas de estacionamento. Grande parte do trabalho passava por implementar funcionalidades e por ler e escrever documentação.

O GLUA, o grupo de Linux da Universidade de Aveiro, foi uma parte importante da minha vida académica. Fui coordenador, dei workshops de iniciação ao Linux, escrevi guias de instalação e resolução de problemas e fiz um script para instalar o Quartus Prime Lite em Ubuntu e Fedora. Também ganhei uma ligação ao próprio departamento e fui conhecendo professores e seguranças.

Comecei com Ubuntu e nunca tive grande vontade de voltar ao Windows. Gosto do design do GNOME e de poder automatizar coisas pela linha de comandos. O meu homelab também corre Linux. O código aberto é importante para mim porque posso ler o que outras pessoas escreveram e aprender com isso.

Longe do computador

Toco acordeão num rancho folclórico e ajudo num grupo de carnaval, onde faço um pouco de tudo, desde a mecânica aos trajes. Faço licores, reparo computadores, faço trabalhos de eletricidade e monto som para eventos de empresas. Já trabalhei ao balcão de um bar e construí paredes em OSB. Vou fazendo bastantes biscates.

A corrida acompanha-me há muito tempo, embora tenha ficado para segundo plano nos últimos anos.

Um bom fim de semana inclui um jantar com amigos, um ensaio, um passeio ou tempo com a minha namorada. Gosto de ter pessoas por perto. Isso também conta no trabalho: quero uma equipa acolhedora, com vontade de esclarecer dúvidas, porque provavelmente vou ter bastantes.

Diz olá

Se quiseres conversar sobre um projeto, uma oportunidade de trabalho ou algo que estás a construir, escreve-me.

me@miguelovila.pt